Estimulação não invasiva

Neuromodulação com tDCS: um recurso complementar, não uma promessa.

A estimulação transcraniana por corrente contínua aplica uma corrente elétrica de baixa intensidade por eletrodos posicionados no couro cabeludo, segundo um protocolo definido para cada objetivo clínico.

Pessoa usando equipamento de neuromodulação tDCS na Clínica Genuína
O que a técnica faz

tDCS não é eletroconvulsoterapia.

Na tDCS, uma corrente fraca e contínua passa entre eletrodos colocados sobre a cabeça. O objetivo é modular a excitabilidade de redes cerebrais e favorecer mudanças funcionais enquanto o tratamento clínico continua.

A pessoa permanece acordada. A técnica não produz convulsão e não tem o mesmo mecanismo da eletroconvulsoterapia. Durante a sessão podem ocorrer formigamento, coceira, sensação de calor ou leve desconforto no local dos eletrodos.

A evidência não é igual para todas as condições. Resultado depende do diagnóstico, montagem dos eletrodos, intensidade, duração, número de sessões e associação com outras intervenções. Protocolos não devem ser apresentados como intercambiáveis.

Quando pode entrar no plano?

A tDCS não é apresentada como tratamento de primeira linha. Na clínica, pode ser considerada quando houve resposta insuficiente, intolerância ou limitação ao tratamento medicamentoso e a outras terapias indicadas. Também pode ser associada à medicação, sem exigir sua suspensão, conforme avaliação clínica.

Na depressão maior, a tDCS anódica sobre o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo é classificada como definitivamente eficaz — Nível A de evidência — nas diretrizes de Fregni et al. (2021). A resposta individual depende do diagnóstico, do protocolo, das comorbidades e dos tratamentos associados.

Para fibromialgia e enxaqueca, a mesma diretriz classifica a tDCS como provavelmente eficaz — Nível B. Nos quadros mistos ansioso-depressivos, a indicação considera o componente depressivo, as comorbidades e o tratamento já realizado.

A neuromodulação integra o plano terapêutico e não substitui psicoterapia, medicação ou atendimento psiquiátrico de urgência quando necessários.

Queixas de memória, atenção ou concentração precisam ter sua causa investigada. Ainda assim, há estudos mostrando que a tDCS pode melhorar a cognição global e, em contextos específicos, domínios como atenção e memória de trabalho. A resposta varia conforme a condição clínica, o objetivo cognitivo e o protocolo utilizado. Por isso, a indicação não se baseia apenas na queixa isolada, mas a tDCS pode integrar o tratamento quando há um objetivo cognitivo definido e acompanhado.

Como é tomada a decisão?

Definir o problema clínicoDiagnóstico, intensidade, impacto funcional e fatores associados precisam ser compreendidos antes da técnica.
Revisar o que já foi tentadoMedicamentos, sono, movimento, psicoterapia, fisioterapia e outras intervenções são avaliados conforme o caso.
Verificar segurançaHistória neurológica, implantes, lesões de pele, gestação, medicamentos e outras condições são considerados antes de iniciar.
Escolher um protocolo e medir respostaObjetivo, número de sessões e forma de acompanhamento são definidos. Sem benefício relevante, a estratégia deve ser revista.

Quantas sessões são necessárias?

A fase de indução é realizada, em geral, com cinco sessões por semana. Na Clínica Genuína, o planejamento inicial costuma ser de 20 sessões para fibromialgia e de 30 sessões para depressão ou transtorno misto ansioso-depressivo.

Quando há resposta clínica, a frequência pode ser reduzida para duas sessões semanais e, depois, espaçada progressivamente até a fase de manutenção. Sintomas, funcionalidade, tolerabilidade e tratamentos associados são reavaliados durante todo o percurso.

Esse cronograma descreve o protocolo utilizado na clínica, não uma regra invariável. A fase de manutenção ainda não possui um único esquema universal definido pela literatura e precisa ser individualizada.

Segurança

Em protocolos adequados, os efeitos adversos mais comuns são locais e transitórios. Cefaleia, fadiga e alterações de humor podem ocorrer. A aplicação exige triagem, posicionamento correto e acompanhamento; equipamentos domésticos não devem ser usados por conta própria como se fossem equivalentes a um protocolo clínico.

A técnica só faz sentido dentro de um diagnóstico e de um plano.

A avaliação revisa o quadro, os tratamentos anteriores, as contraindicações e o objetivo que poderá ser acompanhado.